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O governo soma e segue atropelando todos os mecanismos democráticos, a certidão da nossa organização política, as regras do jogo, os representantes partidários e o representante arbitral digamos assim.

É o desequilíbrio político à Estado Novo, manda o Chefe do Conselho. Bem, na verdade, não é assim, manda a troika, a CE, o BCE, o FMI, a Alemanha, a alta finança. O governo é apenas um gabinete da troika.

 

Aliás, o governo-troika PSD/CDS conseguiu, pelos vistos, ir além do exigido, ir além da troika, o que revela o seu profundo envolvimento e empenho. As pessoas já perceberam isso. O governo-troika continuará a seguir este caminho de buldozer sem controle apesar das avaliações do tribunal constitucional, dos debates histéricos no parlamento e perante a passividade e serenidade do Presidente.

O PSD e o CDS sabem que não têm qualquer hipótese de ganhar as próximas legislativas. Qual é o povo que se quer suicidar?

O PSD e o CDS sabem que país teremos em 2015. Sabem porque o planearam e programaram. É o país da "nova normalidade".

 

Ontem dei comigo a ver o Política Mesmo, a parte de Manuela Ferreira Leite, e depois a Prova dos 9 na TVI.

Não consegui, por motivos de saúde mental, ouvir a entrevista da ministra das Finanças, a repetição do discurso tecnocrático de Gaspar faz mal à saúde pública, mas pelo que ouvi a Fernando Rosas e a Francisco Assis, a "nova normalidade" permitiu-me confirmar a marca registada deste governo-troika.

 

"Nova normalidade", pois. Para quem? Para a grande maioria dos portugueses.

Como Francisco Assis referiu: pobrezinhos e alegres. Tal como no salazarismo.

Fernando Rosas lembrou a história depois de 29, da grande depressão.

Paulo Rangel, esse, pareceu-me bastante constrangido e em conflito interno. Afinal é culto, sabe história e política, e é especialista na constituição. Como conseguirá ele, o da moção "Libertar o Futuro", conviver com a "nova normalidade"? De um lado, tem a missão impossível de acordar as consciências tecnocratas e do outro, um lugar na Europa ou em instâncias internacionais. Afinal, estes lugares são apenas trampolins para lugares melhores.

 

E é isso que veremos também acontecer aos rostos da austeridade Durão Barroso, Passos Coelho e Paulo Portas: um lugarzinho na estratosfera político-financeira europeia e mundial. Há sempre um império financeiro, uma fundação, uma organização, uma multinacional à espera. Tal como Constâncio foi catapultado ao BCE depois da ausência de supervisão bancária, ou Gaspar voltou à alta finança depois dos cortes a torto e a direito e sempre nos mesmos, também os principais rostos da austeridade terão um lugarzinho à sua espera. Afinal, não foram poucos os serviços prestados, para que alguns poucos tenham o lugarzinho no céu é preciso deixar o país no inferno... (Faz-nos falta um Gil Vicente para retratar tudo isto...)

 

 

Já agora, esse país que nos desenharam sem nos pedir a opinião, ja tem uma marcha popular ou mesmo um fado? Não será mais ou menos assim?

 

 

 

Cá vamos cantando e rindo

alegres na nossa pobreza

O destino nacional

é a delicadeza

com certeza

 

 

Somos o país da sardinha assada

da arrufada

do azeite

e do vinho tinto

A nossa marca é a gastronomia

e a bonomia

 

Temos o clima adequado

ao mercado

e o perfil profissional

um vosso criado

 

Admiramos e veneramos

os ricos e famosos

os poderosos

e vivemos para agradar

aos nossos investidores

e benfeitores

 

Cá vamos cantando e rindo

na nossa alegre pobreza

com certeza

 

 

 

Como vêem, isto ainda é apenas um esboço, é preciso melhorá-lo, musicá-lo, depois até se pode encomendar uns figurantes para fazer um vídeo, tal como aquele que o Professor Marcelo fez para os alemães mas com esta "nova normalidade".

Embora não me agrade muito a perspectiva de país conformado e mediano do Professor Marcelo, a sua visão de país sempre era melhor do que esta "nova normalidade". A propósito, que ninguém fique preocupado com o destino do Professor Marcelo, porque todos percebemos que ele tem popularidade para ganhar umas presidenciais, foi por isso que lhe pisaram os calos. Ao acusar o toque ganhou alguns pontos na corrida. 

 

 

 

publicado às 12:45

Portugal sem os portugueses e a Europa sem os europeus

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 16.01.14

O que faz um lugar são as pessoas que o habitam. Foi esta a experiência da minha vida ao voltar a certos lugares que marcaram o meu percurso. A paisagem pode ter-se mantido, mas a ausência das pessoas fundamentais tornou-os inabitáveis para mim. Alguns lugares tornaram-se mesmo inóspitos e hostis.

 

Portugal sem os portugueses, como será? Quem virá habitar um lugar assim? A sua cultura única irá perder-se? Ficará apenas a sua gastronomia e o folclore para turistas? Ficará a sua literatura e poesia em formato de lançamentos de livros?

Qual o destino deste país? O turismo para os ricos da Europa do norte? 

Qual o destino dos portugueses? Emigrar por não terem lugar no seu próprio país?

 

E ainda se queixam que a taxa de natalidade continua a descer... Não perceberam nada?

 

A cultura de um país e os seus habitantes é um tema fascinante, implica estudar a sua história, analisar os seus valores dominantes, as diversas comunidades.

Como país, Portugal e os seus habitantes têm sofrido bastantes traumas culturais e sociais, lembremos apenas os mais recentes: as invasões francesas, a guerra civil miguelistas-liberais, o regicídio, as turbulências da primeira república, o salazarismo, a descolonização apressada e desorganizada, a integração mal conduzida na CEE, a austeridade, a apropriação dos recursos estratégicos. (*)

Neste percurso atribulado e constrangedor muitos dos seus valores essenciais se perderam. A alma portuguesa ficou mais pequenina, do tamanho da avidez, da ganância, da inveja do imaturo, da cultura do objecto.

Ainda poderão ter resistido alguns vestígios da nossa cultura generosa e universal, mas por quanto tempo?

Vemos agora sair os jovens e os de meia idade. Os mais velhos andam cada vez mais assustados. Qual o futuro de um país que não protege os mais frágeis e vulneráveis?

 

Com a indiferença própria dos muito arrogantes, vemos o marketing político europeu aliciar os cidadãos sem qualquer referência ao falhanço do projecto europeu, sem sequer terem assumido os erros na orientação dos países-membros que conduziu ao desastre económico e financeiro e à consequente apropriação dos recursos estratégicos.

A CE nunca assumiu a sua responsabilidade pelo falhanço do projecto europeu e pelo programa austeridade que acarinhou e impôs sobretudo aos estados-membros do sul. A CE nunca se preocupou com o desastre social que acarinhou e impôs aos estados-membros do sul. Assistir a esse processo foi revelador para mim, percebi até que ponto os tecnocratas da CE são capazes de ir para atingirem o seu objectivo que nada tem a ver com o projecto europeu, é outra coisa.

Essa outra coisa assemelha-se, no desenho que começamos a vislumbrar: uma grande organização para alguns muito ricos e poderosos servidos por uma multidão de escravos ou semi-escravos e alienados. Ora, alguém que serve um amo não é um cidadão de pleno direito, é um escravo ou semi-escravo e alienado.

 

O projecto europeu falhou e no seu falhanço arrastou países, pessoas concretas, expectativas e sonhos. Prometeu para aliciar, como agora volta a prometer para aliciar, mas o desenho está lá, por detrás dos tratados, em tinta invisível: uma grande e poderosa organização para alguns poucos servidos e alimentados por milhões e um território despojado dos seus recursos estratégicos que estarão na posse desses poucos muito ricos e poderosos.

 

Com esta ideia alucinante da união bancária, cada vez mais martelada como a salvação do projecto europeu, a armadilha fica completa, é como assinar o próprio destino de serviçal vitalício, incluindo o dos seus descendentes, para as próximas décadas.

 

É tão fácil vender um país, já repararam? As instruções até vieram da própria CE... Primeiro, gastar, endividar-se; a seguir, contrair drasticamente e cortar no essencial; pôr os cidadãos à míngua, empurrá-los para fora; vender a seguir por tuta e meia os seus recursos estratégicos.

 

 

 

 

 

 (*)  Esqueci-me de referir a participação na 1ª Grande Guerra e a guerra colonial.

 

 

publicado às 18:17


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